... olhar as minhas Montanhas Lindas, olhá-las por muito tempo, mesmo caminhando no alcatrão, é do melhor que me pode acontecer nas minhas caminhadas.

Ver o Alto da Derrilheira, fazer os meus olhos trepar aquele miradouro do nosso contentamento, já me leva a pensar nas belezas do nosso mundo mas, eu tive a certeza que, desde que os meus olhos começaram a observar aquele pico, então, ainda mais pertinho do céu, nunca mais o esqueceria.

 

 

 

Alto da Derrilheira - lá em frente, os montes são espanhóis

 

Por isso, ainda hoje, subir e descer as minhas montanhas, é caminhar ao lado do Senhor da Esfera, conversar com Ele e agradecer-lhe por todas aquelas oportunidades que me tem dado de afirmar, cada vez mais, as belezas que, desde então, me deu.

Ele pôs-me a pisar alcatifas de todas as cores, rectangulozinhos de madeira, em várias formas, encerados, produtos belos da caldeirada que as civilizações mixordaram.

Levou-me a subir outras montanhas para comparar, bem mais altas e, também, bem lindas, algumas com cabeços em banda, outras com as agulhas a rasgar o céu mas, em nenhuma dessas belezas consegui esquecer a beleza das minhas montanhas.

 

Por isso, caminhar rumo ao Alto da Derrilheia, obriga-me a ir sempre de cabeça levantada e, quando inicio a sua descida, tem o dom de uma força magnética, levando-me sempre a torcer o pescoço e obseva-lo.

 

Por isso, hoje como sempre, a visão do nosso Pico, sobrepõe-se a todas as visões de montanhas que tenho tido, algumas das quais só observei de cima para baixo, como as montanhas do Maniamba e outras, cuja beleza eu observei numa bela ondulação, caminhando pelo horizonte onde o meu amigo Apolo se deitava. Mas, no Alto da Derrilheira, Apolo tinha o dom de se mostrar ao Ventor, ainda ensonado e o Ventor tinha de olhar sempre a vê-lo rebolar, montanha abaixo, até, mais tarde, me aquecer o nariz. Quando ele batia no Alto da Férrea, o Ventor já teria uma das suas tarefas terminadas e, logo de seguida, fazia uma grande correria, montanha abaixo, desafiando Apolo a tocar-me antes de eu poder esconder-me mais.

 

"Calma, Ventor, que te matas"!

 

Corria porque tinha a escola à espera e, nessa altura, tudo o que eu queria era chegar à escola. Era pela escola que eu controlava o meu amigo Apolo e ele sabia e ainda sabe hoje, que esses foram os melhores tempos da minha vida.

 

Por isso, espero, nestes dias, infelizmente poucos, recordar esses tempos com o meu nariz alcandorado nas minhas montanhas.

 

 

Uma libelinha, na Parede (Junto à Av. das Tílias)

 

Assim, vou deixar estas maravilhas e caminhar ao encontro de outras ainda mais belas.

 

 

 

Uma libelinha, no rio Mouro (lamas de Mouro)

 

 

Uma libelinha, em Adrão (rio de Além)

 

Vou ir ao encontro destas que, por razões que estarão para além de outras razões, nunca esqueço. Continuo sempre a caminhar a seu lado e elas sempre a meu lado, quase sempre vestidas de tons azuis ou dourados, esvoaçando entre os salgueiros, pousadas nos carriços do meu rio ou sobre pedras frescas em verões muito quentes.

Gosto muito de caminhar entre elas, por isso, a minha máquina as reboca até mim.

 

 

Se calhar, vamos dormir aqui, nestas pétalas

 

Assim, como me dirijo ao meu mundo, desejo a todos que estão de férias ou que vão entrar de férias, umas boas férias.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 21:27