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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


09
Jul10

Adrão, chora!

Ventor

Adrão é um lugar  que continua a ficar sem aqueles que o amam, ou que o amaram. Um após outro, todos vamos partindo e um após outro, vamos chorando por aqueles que nos vão deixando; a nós e ao lugar que nos viu nascer.

 

Adrão, encravado nas montanhas, no caminho da Senhora da Peneda, vê os seus filhos partir e chegar, como todos os lugares deste país, perdidos por aí. Eu sou dos muitos que partiram e só regressam para chorar. Se não for para chorar, haverá os que regressam para beijar uma última vez a terra onde, em tempos, viram a luz, e será nessa luz que querem ficar para a eternidade.

 

É assim com todos ou quase todos. Desta vez foi assim com o ti Joaquim da Chica, um amigo. Um amigo de Adrão e um amigo do Ventor. Soube há pouco, por um telefonema de França, de Paris que, hoje, o ti Joaquim da Chica, o meu amigo Joaquim de Barros, nos deixou para sempre e foi em Adrão que quis que os seus ossos ficassem, também, para sempre.

 

Há muita gente de Adrão que tem partido e eu só tenho conhecimento quando entro no Cemitério. Neste caso morreu um amigo e outro me deu a notícia da tristeza.

Um dia, esse homem, pediu-me para levar para Adrão o projecto da sua futura casa. Eu, era um puto que sonhava com o mundo e, ele, o homem que sonhava com Adrão. Com o regresso!

 

"Olha, Ventor, Adrão não pode dar de comer a toda a sua gente, por isso fugimos! Viramos-lhe as costas, mas temos sempre vontade de regressar. Esse projecto é o projecto da minha casa onde, um dia, espero viver os últimos anos da minha vida. Sim, porque nós partimos, mas regressamos sempre. É uma terra que não nos mata a fome, mas que nos dá uma pujança enorme ao nosso coração. A pujança da saudade"!

Foi mais ou menos isto.

A última conversa que tivemos foi, já há meia dúzia de anos, debaixo do Carvalho de Eixão, onde eu estava numa sardinhada, e ele de pau na mão se aproximou a olhar-me e pronto para mais uns dedos de conversa. A nossa última conversa.

 

Há três dias, ele enviou-me a mensagem de que iria partir, pois eu fiquei grande parte da noite a pensar nele, na sua saúde e na velhice e tive saudades de falar com ele. Pensei que, talvez, este verão, o visse pela sua casa de Adrão e ainda conseguíssemos ter mais dois dedos de conversa. Dois três dias para a notícia de que ele nos deixara para sempre.

Até um dia, ti Joaquim!

Para toda a sua família, deixo aqui os meus sinceros pêsames.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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