A Batata, é uma das maiores culturas do mundo, procurando, objectivamente, com ela, tentar matar a fome aos mais de 6 biliões de almas existentes e que se julga, rondar os 10 biliões, pelo ano 2050. Dir-me-ão que as almas não comem mas, de facto, os corpos que as guardam, precisam de alimento.

 

 

 

Um batatal

 

 

Os vermes que se vão transformar em escaravelhos da batata

 

Claro que, sendo a produção actual de pouco mais dos 300 milhões de toneladas anual, em todo o mundo, por essa altura, e nas condições actuais, serão necessárias, no mínimo, 500 milhões, para mantermos o rácio actual. Mas, se for assim, isso significa que a fome no mundo, nos próximos 40 anos será a fiel companheira da maioria das gentes que por cá andarem nessa altura.

 

Também é claro que não estamos a olhar apenas para a cultura da batata mas, para todas as outras.

 

Mas o objectivo deste post, não é falar da fome no mundo. Creio que já ninguém leva a peito esses arautos do dom da palavra fácil, que tanto dizem mas que, praticamente, nada fazem, pois a nossa "gamela" está cheia.

 

Eu falo da cultura da batata apenas e só, para vos falar dos meus "castigos" de criança. Como devem calcular, as crianças, nas aldeias, vão andando por ali ao Deus dará e é preciso dar-lhes uma missão que seja útil e que os entretenha de forma saudável. Por isso, eu preferiria hoje, voltar a nascer na minha aldeia, em Adrão, cheio de nada, do que numa cidade, cheio de tudo.

 

Mas ainda falando da batata, todos sabemos que chegou à Europa, via Espanha, depois dos meados do século XVI e, segundo dizem os arautos da sabedoria, é originária do Sul do Peru, terra dos meus amigos Incas, antes de chegarem os espanhóis e outros.

 

 

 O escaravelho da batata já deu a sua cabazada de descendentes

 

 

Aqui, além da cabazada de descendentes, como diria o João, fez também uma cocozada

 

Portanto, a batata, já faz parte da globalização há quase 450 anos.

 

Mas, que percebes tu de batata, além de a veres no prato e a trincares? - Dirão vocês.

Pois aí é que está! Não percebo nada, mas ela fez parte das minhas primeiras caminhadas por Adrão. Eu cavei a terra onde a batata era semeada ou plantada, se quiserem;

eu partilhava do trabalho dos adultos, abrindo o sulco na terra onde colocávamos as batatas com os espaços adequados;

eu colocava, irmãmente, o estrume e as cinzas do nosso borralho (o potássio) que lhe iam servir de alimento;

e, mais que isso, trabalho só meu, logo que fui dado como preparado para todo o serviço, deram-me autorização para fazer a guerra ao escaravelho - o escaravelho da batata. O nome pomposo do escaravelho da batata para a ciência é: Leptinotarsa Decemlineata.

Dizem os sabidos que é originário da América do Norte. Se calhar, penso eu, veio às costas da filoxera! 

 

 

 

 Até parece que está a proteger os seus futuros "meninos"

 

 

Mas, o escaravelho da batata, já disse, ao Ventor, em tempos que já lá vão, que também gosta de apreciar as flores

 

Tudo isto porque os meus amigos Tina e Alex mataram um escaravelho da batata na sua casa da Ria e eu disse-lhes que se vissem um, para o fotografarem e me enviarem uma ou duas fotos pelo email. Recebi aqui uma catrefa delas! Dá a impressão que fizeram um assalto aos batatais dos vizinhos, apenas para colherem as imagens desses danados. 

Na verdade, eu já não vejo um bicho destes há mais de 45 anos. Nunca fui a Adrão, nos tempos em que eles vivem faustosamente nas ramas das batatas ou, então, já ninguém liga às batatas.

Por aqui, nas minhas caminhadas, quando vejo um batatal, procuro os escaravelhos, mas os batatais são tratados com produtos químicos que destroem os escaravelhos das batatas e nos vão destruindo a nós, mais lentamente.

 

Por isso, deixo aqui o meu obrigado aos meus amigos Tina e Alex por terem a pachorra de andarem no batatal à procura dos escaravelhos, que vos deixo aqui.

Quem sabe eu não deva perder esses tipos de vista?

Quem sabe a minha guerra, com eles, ainda não tenha acabado ?

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 14:44