Voltei a sonhar com o meu Quico, mas não o vi!

 

Os sonhos podem não ter explicações, mas creio haver sempre uma predisposição psico-somática que nos leva a isso. A sonhar!

 

Já passaram 5 dias sobre a morte do meu companheirinho de caminhadas lindas e ainda hoje me parece que ele anda aqui comigo. Tal como me aconteceu com o Rafinho, o meu coelhinho anão, está-me a ser terrível, meter na "corneta" que o perdi para sempre. Cada passada que dou, a prioridade é não pisar o Quico, é procurar o seu comer, a sua água e até julgo que nunca mais deixo de o ter à minha volta. É um duelo terrível entre a sua existência passada e a certeza de que o perdi.

 

Eu sei que adorei este gato, que foi um grande amigo e que tínhamos a nossa maneira habilidosa para falarmos um com o outro. Nós entendíamo-nos perfeitamente. Ainda há pouco tempo eu a brincar com ele lhe dizia que ele iria ecapar à turbulência cá de casa, e que iria resistir a tudo, por isso, eu  iria procurar alguém para ficar com  ele quando a Dona e eu resolvêssemos iniciar a caminhada final.

 

Ele parecia vender saúde e, de repente, cançou!

 

Não é por acaso que voltei a sonhar com ele! Dois dias depois, de o levar, dirigi-me às minhas Montanhas Lindas, em sonho, para o procurar. Achei que, se fosse lá, o via! Mas eu cheguei, cansei-me a procurá-lo por uma boa área em volta do seu sítio e, nada!

 

 

Estas foram as fontes que eu vi. As minhas Fontes

 

Já cansado, transpirado, todo sujo, cheguei à nascente das Fontes, onde ia beber água. Ali, encontrei duas mulheres muito lindas vestidas com vestidos pretos que se dirigiram para mim. Ao chegar junto delas, perguntei-lhes o que estavam ali a fazer, pois não me pareciam dos lugares em volta. Pois, por ali, vestidos negros, tão lindos, ninguém lhes dá uso. Elas eram muito bonitas e achei muito esquisito estarem por ali sòzinhas, pois não via mais ninguém.

 

Uma das duas mulheres chegou junto de mim e disse, sorrindo: "olá Ventor! Nós somos as Ninfas das Fontes, e velamos pelas suas águas e pelo Quico". Observou-me e disse: "estás muito cansado Ventor"!

 

«Estou! Estou cansado e sujo» - disse eu. «Estou farto de andar por aí às voltas a ver se vejo o Quico, pois estava convencido que o iria ver hoje»! Depois desanimado disse-lhes: «Não me podem mostrar o Quico»?

A mesma Ninfa, aproximou-se de mim, muito triste, e disse: "não, Ventor! Tu és um homem e o Senhor da Esfera não permite que tu vejas o Quico! Só um dia poderás voltar a ver o Quico e a brincar com ele. Mas não te preocupes, porque ele anda por aqui connosco"!

 

Olhei em volta e vi tudo tão natural como realmente é. Olhei o pequeno tanque de betão para reservar maior quantidade de água para os animais e, disse-lhes: «estou tão sujo! Se vocês não estivessem aqui, entrava naquele pequeno tanque e, se não me lavasse, pelo menos, refrescava-me».

 

 

Esta foi a parte moderna que vi no sonho! Queria entrar e refrescar-me!

 

"Não te preocupes que nós vamos dar-te banho! O Senhor da Esfera, isso não nos proibiu"! E, uma delas, a que permanecia calada, sorrindo, levantou os braços e colocou um biombo e um duche. Eu entrei, despi-me, meti-me debaixo do chuveiro, muito bonito, comecei a mulhar-me e, de repente, faltou a água.

 

«Então a água já acabou»? - Perguntei eu!

"Não Ventor, vais ter muita água"! - Disse a ninfa faladora.

Ela levantou os braços, apontou-os à Fonte e a água começou a jorrar sobre mim.

Depois de me lavar bem lavado, a que estava sempre calada, só tinha sorrisos, estendeu-me uma toalha muito bonita mas, semelhante àquela onde embrulhei o meu Quico.

 

«Vocês roubaram a toalha ao Quico»?

"Não, Ventor! Essa toalha é outra! É semelhante àquela onde trazias o Quico embrulhado só para te recordar que nós estivemos presentes, embora tu não nos conseguisses ver"!

 

«Bom, se não posso ver o Quico, vou-me embora. Obrigado pelo banho».

A sempre sorridente e conversadora, disse: "vai Ventor! Vem aí muita gente visitar o sítio do Quico, mas ninguém o vê e depois vêm todos beber água nesta nascente".

 

Então, a ninfa muda, pois nunca falou comigo, fez-me uma festa no queixo, sorrindo, e, a sua companheira faladora, levantou o braço, sorriu e acenou-me, desaparecendo as duas ao mesmo tempo, no local da nascente.

Eu comecei a ouvir a algazarra de pessoas que se dirigiam à nascente para beber água, mas só vi uma velhota aproximar-se, tendo todas as outras ficado para trás, junto do sítio do Quico. Olhei a velhota já tão cansada e acordei sem ver as outras pessoas ...

 

Levantei-me, fui à cozinha beber água com muito cuidado para não pisar o Quico e, como me certifiquei da realidade, não vendo os seus comedouros, nem a sua água, fiquei por ali a limpar as lágrimas, caladinho. 

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 15:47