Todos os anos, de 1 a 8 de Setembro, lá vão os romeiros a caminho da Senhora da Peneda, rumo à serra com o mesmo nome. Mas, pensando em termos de passado, os romeiros nunca mais voltam!

 

Eles não voltarão a passar em Adrão, em Tibo e no Baleiral, alegrando as gentes com os seus cantares, com as músicas das suas concertinas, das suas pandeiretas, dos seus ferrinhos, das caixas e dos tambores.

 

Nos meus tempos de criança, eu corria para a janela para ver aquela gente alegre caminhar por baixo, na nossa "grande avenida", de Adrão, a cantar e a dançar rumo à Santa da sua devoção. Eu perguntava a mim mesmo porquê? O que levava aquela gente a correr por trilhos pedregosos, rumo aos granitos da Meadinha?

 

 

 

Coloquei aqui 55 fotos deste belo local, por baixo da rocha da Meadinha, onde foi parar a bengalinha que a Senhora da Peneda, disse às irmãs, que iria para onde a Sua bengala caísse. A Bengala caíu junto à Meadinha e as irmãs tentaram dissuadi-la de permanecer naquele local, mas Ela, tal como o Ventor, achou-o maravilhoso!

 

Os anos passaram e eu percebi porquê! Eu fui crescendo e comecei a subir, cada vez mais alto, as minhas montanhas lindas, a chegar ao alto da Portela e a espreitar, também, cá de longe, a Senhora da Peneda. Lá, naquela garganta rochosa, incrustada à esquerda de quem sobe o vale, rumo a Lamas de Mouro, lá está o campanário, a casa da mais bela Santa das mais belas montanhas deste Portugal.

 

 

Senhora da Peneda

 

Ela quis ficar ali, no seu berço de granito, para nos dizer que a rudeza se torna bela quando o homem quer. Hoje não estou na Peneda, nem estou em Adrão e, mesmo que estivesse, mesmo que me aproxima-se da minha janela, não veria um romeiro passar, não ouviria uma pandeireta, não tocaria uma única concertina, rumo à Peneda. Não veria os cabazes das merendas, sobre cabeças hérculeas, assentes sobre rodilhas coloridas, nem os lenços coloridos aos ombros das belas mulheres que se dirigiam à Romaria da Peneda. Os homens carregados de foguetes (contados às dúzias) para pagarem as promessas feitas por  devoção à sua (nossa) querida Santa, já náo podem fazer tais promessas!

 

 

Cá está a sua bela "casa", por baixo da rocha da Meadinha

 

O ribombar dos petardos não se ouvem porque é proibido deitar foguetes. Também não teria interesse, pois, em Adrão, já não há rapazes para irem apanhar as canas à Portela! Antigamente, rebentavam milhares de petardos, nas alturas, e nunca houve um incêndio, hoje não rebenta um petardo a glorificar a Senhora da Peneda mas arde tudo! Porque, antigamente, as minhas montanhas lindas eram limpas pela pouca riqueza que havia por lá. Os gados comiam, rapavam tudo! Hoje rapam-nos a nós! Já nem dá prazer olharmos, observarmos ou regozijarmo-nos com as belezas que outrora, havia pelas minhas montanhas lindas. Hoje, por lá, só podemos observar duas coisas: matagais sem fim, que nos escondem tudo ou áreas carbonizadas donde tudo desapareceu.

 

Em 50 anos tudo se transformou! Nesse aspecto, para pior!

 

 

Subir as suas escadarias é um prazer para os apreciadores de tudo que se relacione com a vontade do Senhor da Esfera

 

Continuarão, certamente, a haver muitos romeiros na Peneda! Eles chegam de todos os lados, do Norte de Portugal e da Galiza, de outros mundos, e a Senhora da Peneda lá estará para receber todos, que chegam de carros de todas as cores e formas, de camionetas e, também haverão alguns, provavelmente, apeados por ali perto, sem vontade de cantar ou sem vontade de dançar, que chegarão caminhando a pé para as suas novenas, para chorarem de tristeza ou de alegria.

 

Vamos lá gente. Cheguem-se à Senhora da Peneda, da maneira que puderem. Eu não posso lá estar, nem para cantar, nem para rezar, mas estou aqui, lembrando o passado, sonhando com o futuro da Senhora da Peneda e o meu e, dizendo-Lhe a Ela que estou um pouco longe, mas sempre presente!

 

 

Não podia deixar de vos presentear com uma das belezas que nos dão as boas-vindas

 

Este ano, a força da festa da Romaria, calha num fim de semana e amanhã, domingo, no seu apogeu, sairão daquele pedeaço das minhas belas montanhas, carros em todas as direcções, para levarem as novidades da bela romaria àqueles que não puderam estar presentes.

 

Mas a Senhora da Peneda sabe porque eu não estou presente em corpo e sabe, também, porque eu estou sempre presente em espírito!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

Ventor, nas suas caminhadas | Divulga também a tua página

música: Crying de Roy Orbison
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publicado por Ventor às 23:50